Ativos de Campo
Abril / 2026
Avicultura de corte: onde está o ganho de escala?
Artigo CNA – 1º Trimestre · Departamento de Inteligência da Labor Rural

Projeto Campo Futuro
Monitoramento econômico e gerencial das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.
CNA / Senar
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil · Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
Avicultura de Corte
1º Trimestre · Abril 2026
Avicultura de corte: onde está o ganho de escala?
Departamento de Inteligência da Labor Rural – Relatório de 10 de abril de 2026.

A escala de produção é um fator-chave para a eficiência em sistemas agropecuários, ao possibilitar a diluição de custos fixos e potencializar a margem da atividade. Entretanto, a expansão baseada apenas no crescimento do faturamento, sem a devida avaliação dos impactos sobre os custos, constitui um erro gerencial que pode comprometer a sustentabilidade econômica e reduzir a rentabilidade.
Na avicultura de corte integrada, essa dinâmica também se aplica. Foram analisados dados técnicos e econômicos do projeto Campo Futuro (CNA/Senar), no período de 2020 a 2025, anualizados e deflacionados pelo IGP-DI (fevereiro de 2026) para a atividade de frango pesado em sistemas climatizados. Nesse intervalo, a produção — medida em aves entregues por ano, por modal — cresceu 4,62%, influenciada por fatores como taxa de mortalidade, número de lotes ao ano, densidade de alojamento e expansão da área produtiva. Considerando a área média por núcleo aumentou de 4.393 m² em 2019 para 4.769 m² em 2025, representando um crescimento de 8,43%.
Crescimento da Produção
+4,62% em aves entregues por ano, por modal, entre 2020 e 2025.
Expansão de Área
Área média por núcleo cresceu de 4.393 m² (2019) para 4.769 m² (2025): +8,43%.
Densidade de Alojamento
Baixa variação: de 13,69 para 13,60 aves/m² entre 2020 e 2025 (-0,6%).
Área Produtiva
Evolução do Tamanho Médio dos Modais em Área Produtiva

Ao analisar a densidade de alojamento ao longo do período, observa-se baixa variação no número de aves por m², passando de 13,69 para 13,60 entre 2020 e 2025 (-0,6%). Nesse contexto, o aumento da produção está mais associado a ganhos de eficiência técnica, como a redução da mortalidade e o maior número de lotes por ano.
Assim, o crescimento produtivo resulta tanto da expansão da área quanto de melhorias na eficiência técnica, refletidas no aumento do número de aves entregues. Resta avaliar se esse avanço também se traduziu em maior eficiência econômica do sistema produtivo.

Gráfico 1: Evolução do tamanho médio dos modais em área produtiva.
Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural/ CNA/Campo Futuro – Aves e Suínos. Período de 2020 a 2025, anualizado e corrigido pelo IGP-DI de Fev/26.
Custos Fixos
Investimentos e Custos Fixos na Granja de Frango de Corte

Custos fixos são aqueles que não variam com o nível de produção, como depreciação, custo de capital e mão de obra familiar. No curto prazo, tendem a permanecer estáveis, sendo alterados apenas em caso de mudanças no pacote tecnológico. Neste estudo, essa condição não se aplica, pois a análise considera sistemas padronizados do tipo climatizado dark house.
Investimento por m² — 2020
Custo médio de implantação de uma granja de frango de corte: R$ 637/m² (em valor presente), considerando toda a infraestrutura produtiva (instalações, equipamentos, etc.), exceto a terra.
Investimento por m² — 2025
Esse valor passou para R$ 647/m², representando aumento de 1,6% no período.
Custo Fixo por Ave Entregue
Observa-se aumento de R$ 0,66 para R$ 0,79 por ave entregue entre 2020 e 2025, o que representa redução de 19,7% na diluição dos custos fixos em termos médios, em um cenário de crescimento de 4,62% na produção de aves.

Gráfico 2: Evolução dos investimentos em granja de frango de corte versus custos fixos.
Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural/ CNA/Campo Futuro – Aves e Suínos. Período de 2020 a 2025, anualizado e corrigido pelo IGP-DI de Fev/26.
O Gráfico 2 apresenta dois pontos-chave para avaliar a diluição dos custos fixos ao longo do tempo, ao relacionar o nível de investimento com o aumento da produção. Em 2020, o custo médio de implantação de uma granja de frango de corte era de R$637/m² (em valor presente), considerando toda a infraestrutura produtiva (instalações, equipamentos, etc.), exceto a terra. Em 2025, esse valor passou para R$647/m², representando aumento de 1,6% no período.
Ao analisar o custo fixo unitário, observa-se aumento de R$0,66 para R$ 0,79 por ave entregue entre 2020 e 2025, o que representa redução de 19,7% na diluição dos custos fixos em termos médios, em um cenário de crescimento de 4,62% na produção de aves.
Considerações Finais
Rentabilidade da Avicultura de Corte Integrada

A expansão produtiva — tanto pela ampliação da área quanto pelos avanços técnicos — não promoveu ganhos reais de escala e não contribuiu para a melhoria da eficiência econômica da avicultura de corte integrada. Como resultado, observou-se a deterioração da rentabilidade, que permaneceu negativa no período analisado.

Gráfico 3: Evolução da rentabilidade da avicultura de corte integrada entre 2000 e 2025.
Fonte: Departamento de Inteligência da Labor Rural/ CNA/Campo Futuro – Aves e Suínos. Período de 2020 a 2025, anualizado e corrigido pelo IGP-DI de Fev/26.
No período analisado, observou-se que a renda bruta unitária apresentou crescimento de 5,51%, enquanto o custo operacional efetivo — aquele diretamente associado aos desembolsos com energia elétrica, insumos para aquecimento e mão de obra — registrou elevação mais acentuada, da ordem de 8,7%. Esse descompasso entre receitas e custos evidencia que o aumento da produção, por si só, não foi suficiente para promover uma diluição eficiente dos custos fixos, que, ao contrário, contribuíram para a deterioração da rentabilidade da atividade.
Nesse contexto, verifica-se que a atividade não foi capaz de gerar resultados econômicos acima da inflação no período, reforçando as limitações estruturais enfrentadas pelos produtores integrados de frango de corte na captura de ganhos reais de escala. O cenário aponta para a necessidade de estratégias mais robustas de gestão de custos e eficiência produtiva, uma vez que o simples incremento de volume não tem se traduzido, de forma consistente, em melhoria econômica no nível do produtor.
+5,51%
Renda Bruta Unitária
Crescimento da renda bruta unitária no período 2020–2025
+8,7%
Custo Operacional Efetivo
Elevação do COE (energia elétrica, aquecimento e mão de obra) no período
+4,62%
Crescimento da Produção
Aves entregues por ano, por modal, no intervalo 2020–2025
-19,7%
Diluição dos Custos Fixos
Redução na diluição dos custos fixos por ave entregue no período
A expansão baseada apenas no crescimento do faturamento, sem a devida avaliação dos impactos sobre os custos, constitui um erro gerencial que pode comprometer a sustentabilidade econômica e reduzir a rentabilidade. O cenário aponta para a necessidade de estratégias mais robustas de gestão de custos e eficiência produtiva.
Informações Institucionais

Realização
  • Projeto Campo Futuro
  • CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
  • Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
Elaboração Técnica
  • Labor Rural/CNA
Cadeia Produtiva
  • Aves e Suínos
Referência
  • Artigo CNA – 1º Trimestre
  • Relatório de 10 de abril de 2026
Uso e Reprodução
Reprodução permitida desde que citada a fonte: Projeto Campo Futuro – CNA/Senar. Elaboração: Labor Rural/CNA.